terça-feira, 8 de abril de 2008

Boca suja

Manhã corrida, peguei um taxi até a estação de metrô para não me atrasar. De cabeça cheia, não puxei conversa com o taxista, mas é claro que ele tinha que puxar um assunto. Um assunto não, o assunto!
"E o caso da menina que foi jogada da janela? Eu tenho certeza que foi o pai!"
Tentei fugir do assunto, dizendo que não dava para ter certeza ainda, que os jornais tem essa mania de acusar antes de ter certeza... mas não adiantou, preferi deixar o cara falando sozinho, fechando outros carros, contribuindo para o estereótipo de taxista folgado.
Já no trabalho, uma garota comenta o caso enquanto observa uma notícia no UOL:
"Eu acho a mãe da menina muito suspeita. Ela é tão fria, parece não se importar..."
Absurdos de violência podem pipocar em qualquer lugar. Em países desenvolvidos ou não, a natureza humana costuma mostrar faces nada fáceis de encarar, e a maneira como as pessoas comentam estes assuntos: como se fosse mais um capítulo do big brother, me enoja. É uma das faces mais bizarras do ser humano. O interesse pela vida alheia já vai além do impasse "paredão da semana".
O Inagaki fez comentários relevantes, lembrando de outros casos como o da Escola Base e Daniele Toledo do Padro.
Antes de lamentar a morte, partem logo para as acusações. O luto fica também pela morte do caráter.
É uma pena... voltamos à era de Danton, Robespierre e a forca.

Um comentário:

Alice disse...

Infelizmente muita gente tem a filosofia "atire depois pergunte", vide o caso de meses atrás no qual a mãe, supeita pela morte de sua filha recém-nascida, foi acusada pela mída, apontada como assassina e em sua prisão preventiva foi torturada pelas outras presas, tendo um dos tímpanos perfurados.

No final, foi provado a sua inocência.

No caso da menina Nardoni, deixo o papel de descobrir quem é o assassino para os peritos policiais.